domingo, 28 de fevereiro de 2021

Séries literárias para (iniciar em) 2021


Antes de mais nada, devo fazer duas confissões aos leitores deste blog: 1) não sou uma pessoa muito atualizada sobre lançamentos literários, tendo a ler obras já lançadas há bastante tempo - provavelmente quem já acessou postagens aqui percebeu isso; 2) em geral, não gosto de séries literárias, pois quase sempre me parecem ser algo visando mais o lucro do que um compromisso com a composição de um projeto literário propriamente dito. 

Feitas essas ressalvas, tenho de reconhecer que há trilogias, tetralogias ou sei lá qual o número de livros de um projeto ficcional desse tipo, de muita relevância e qualidade. Assim, acredito que quem pretende comentar sobre livros inevitavelmente se confrontará com séries literárias em algum momento. Assim, pensei em começar - veja bem, começar - a ler algumas séries em 2021.

Apesar de aparentarem ser um fenômeno relativamente recente, especialmente a partir de séries como Harry Potter, de J. K. Howling, e Crepúsculo, de Stephanie Meyer, e com o sucesso editorial de obras destinadas a "jovens adultos" (os famosos "YA"Young Adults), gênero no qual as séries abundam, pode-se dizer que há séries literárias bem mais antigas. É o caso de As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, por exemplo, com sete romances publicados entre 1950 e 1956, uma das séries de livros que pretendo iniciar a leitura esse ano.

Também considero que os romances e livros de contos protagonizados pelo detetive Sherlock Holmes, datados de fins do século XIX e início do século XX, de autoria de Arthur Conan Doyle, como um exemplo de série literária. Embora, comparando esses dois exemplos, as obras de Conan Doyle me parecem funcionar bem quando lidas isoladamente, por serem narrativas que adotam um esquema de caso ou aventura por história, enquanto na série de fantasia de C. S. Lewis acredito que a experiência só se completa quando todos os livros são lidos. Já li algumas obras do universo sherlockiano anteriormente, como os romances Um estudo em vermelho, O signo dos quatro e O vale do medo e vários contos, mas agora pretendo ler todas as aventuras do detetive, que foram reunidas em ordem cronológica em uma caixa com quatro volumes lançada pela Harper Collins há alguns anos.

Pensando em um autor brasileiro mais contemporâneo, lembrei que Márcio Souza trabalha há alguns anos nas suas Crônicas do Grão-Pará e do Rio Negro. A tetralogia do escritor amazonense já tem três romances publicados, Lealdade, Desordem e Revolta. O quarto ainda não foi lançado. Possuo apenas o segundo, Desordem, mas acredito não ser difícil obter os demais. Essa série de romances históricos sobre a qual vejo pouca gente comentar, pelo vi, tem como período histórico abordado a Regência e o Segundo Império, o que me pareceu bem rico. 

Um caso um pouco mais complexo é o de O poderoso chefão. Essa série - se é que podemos considerá-la assim - tem sido escrita a muitas mãos. O autor do romance original e que atuou como roteirista dos filmes de Francis Ford Coppola, Mario Puzo, falecido em 1999, escreveu, além do O poderoso chefão, apenas O siciliano, que é uma espécie de romance derivado tendo como foco o período que Michael Corleone passou na Itália. Puzo, entretanto, tem ao menos dois outros livros sobre máfia, mas não relacionados aos Corleone: O último chefão e Omertà. O escritor Mark Winegardner deu continuidade à história da família Corleone após a morte de Puzo, lançando A volta do poderoso chefão e a A vingança do poderoso chefão, em 2004 e 2006, respectivamente. Depois, já em 2012, Ed Falco lançou A família Corleone, baseando-se em um roteiro não aproveitado de Puzo para o cinema.

Minha opinião: acho que Mario Puzo não pretendeu realizar uma série de livros, de fato, mas os herdeiros do autor, as editoras e a Paramount (não sem certas tretas judiciais) resolveram encher os bolsos com mais alguns dólares após sua morte. Enfim, pretendo começar a ler os livros sobre a família Corleone, embora ainda não possua nenhum. E essa deve ser a série que vou demorar mais a iniciar.

Concluindo, são essas quatro séries - ou coisa parecida - que espero começar a ler ainda em 2021:


Séries literárias para (iniciar em) 2021:

- As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis;

Crônicas do Grão-Pará e do Rio Negro, de Márcio Souza;

- Sherlock Holmes (obra completa), de Arthur Conan Doyle;

- O poderoso chefão, de Mario Puzo, Mark Winegardner e Ed Falco. 



domingo, 7 de fevereiro de 2021

Projeto de leitura: autores vencedores do Prêmio Camões


Considerado o mais importante prêmio literário para autores de língua portuguesa, o Prêmio Camões de Literatura foi instituído em 1988 por meio de um acordo cultural entre os governos do Brasil e de Portugal. Anualmente, um júri composto por representantes de Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) atribui o prêmio a um escritor da comunidade lusófona pelo conjunto de sua obra. Além do reconhecimento da relevância e qualidade de sua obra, já que passa o prêmio possui uma comissão avaliadora, o escritor galardoado recebe uma quantia em dinheiro, custeada pelos governos brasileiro e português. Fora o fato de que esse tipo de distinção costuma implicar também em repercussão midiática internacional e, espera-se, maior difusão de seu trabalho.

Até o momento, em suas mais de trinta edições desde 1989, já foram contemplados escritores portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. Apesar de críticas, como o fato de que a maioria dos escritores que receberam o prêmio são de Portugal e do Brasil e que poucas mulheres foram premiadas ao longo das edições, o Prêmio Camões tem um aspecto que me parece bastante positivo, que é o de considerar autores que compõem suas obras em diferentes gêneros, até mesmo ensaio e crítica e estudos literários, como é caso do mais recente premiado, Vítor Manuel de Aguiar e Silva.

Analisando a listagem dos vencedores do Prêmio Camões, disponível no site da Biblioteca Nacional, percebi que tomá-la como ponto de partida para leituras seria uma excelente forma de conhecer mais obras e autores que, afinal, escrevem em nossa língua. Mas, como são muitos autores já premiados ao longo das últimas décadas, opto por em 2021 ler obras dos sete primeiros, vencedores entre os anos de 1989 e 1995. E, como a premiação considera o escritor pelo conjunto de sua obra, para desenvolver este projeto de leitura, escolhi um livro de cada um autor para ler.

Desta forma, a seleção foi a seguinte:

Autores vencedores do Prêmio Camões (entre 1989 e 1995):

- 1989 - Miguel Torga (Portugal)
    Livro escolhido: Contos da montanha;

- 1990 - João Cabral de Melo Neto (Brasil)
    Livro escolhido: Morte e Vida Severina;

- 1991 - José Craveirinha (Moçambique)
    Livro escolhido: Karingana ua Karingana;

- 1992 - Vergílio Ferreira (Portugal)
    Livro escolhido: Aparição;

- 1993 - Rachel de Queiroz (Brasil)
    Livro escolhido: As três Marias;

- 1994 - Jorge Amado (Brasil)
    Livro escolhido: Terras do Sem-fim;

- 1995 - José Saramago (Portugal)
    Livro escolhido: Memorial do Convento.




Infelizmente, diferentemente das outras duas listagens de leituras dos projetos que pensei para 2021, não possuo ainda todos os livros que selecionei. Mas espero adquirir em breve os que ainda não tenho. E, como nos outros projetos já descritos no blog, também nesse caso não estou definindo uma data para a leitura de cada obra, apenas estabelecendo que essas leituras devem ser realizadas em 2021. Nos próximos anos, continuarei a ler os demais autores que já foram contemplados pelo Prêmio Camões.

Enfim, estabelecidos os três projetos que nortearão minhas leituras do presente ano, sigamos em frente!