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sábado, 15 de fevereiro de 2025

Notas de leitura #4: Clube de leitura dos corações solitários, de Lucy Gilmore

Capa da edição brasileira do romance Clube de Leitura dos Corações Solitários, de Lucy Gilmore.

A pessoa aficionada por música pop tenta achar referências e citações musicais em tudo. Quando o título Clube de Leitura dos Corações Solitários (no original, The Lonely Hearts Book Club) me apareceu como sugestão de leitura na BibliON, o meu primeiro pensamento foi, é claro: "Será que esse livro contém alguma referência aos Beatles?". Obviamente, associei o título do romance da norte-americana Lucy Gilmore ao icônico álbum da banda britânica, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Embora não exista nenhuma linha sobre a banda de Liverpool no romance de Gilmore - o que, é claro, foi uma expectativa louca da minha parte -, publicado em 2023 e editado no Brasil no ano seguinte pela Buzz, não posso dizer que sua leitura não tenha sido proveitosa. Ao contrário, Clube de Leitura dos Corações Solitários é um daqueles livros que nos traz conforto e sensação de bem-estar ao terminar de lê-lo. O obra, traduzida por Lígia Azevedo, contém uma mensagem positiva sobre a importância da amizade e da literatura em nossas vidas. Apesar de alguns clichês, o texto não soa excessivamente piegas.   

A narrativa tem como eixo central a relação entre a bibliotecária Sloane Parker e Arthur McLachlan, um professor de literatura aposentado frequentador da biblioteca pública onde ela trabalha, em uma pequena cidade de Idaho. Sendo um homem ranzinza e temperamental, Arthur é o terror dos funcionários da biblioteca, que sempre sofrem com suas ofensas. Até o dia em que Sloane o atende e se mostra uma adversária à altura dos ataques de Arthur, sempre com uma resposta na ponta da língua e usando de senso de humor para propositalmente contrariá-lo. Os dois ficam por semanas nesse jogo de gato e rato e, sem se darem muito conta disso, vão desenvolvendo uma estranha amizade. 

A partir de então, Arthur aparecia na biblioteca todo dia no mesmo horário: às dez e meia, exatamente meia hora depois que eu entrava. A precisão não me passou despercebida - nem a Mateo, que sempre fugia assim que via sinal do agente de sua ruína.

- Falei com a sua chefe - Arthur disse ao passar por mim, batendo os pés e a bengala de maneira marcada no carpete azul. - Avisei que, se você tentar criar um clube do livro, vou escrever uma carta à prefeitura e fechar este lugar. Sou capaz disso, fique sabendo.

- Minha nossa, sr. Mclachlan - declarei, ignorando a pilha de papéis que vinha separando para reciclagem e abrindo um sorriso fofo para ele. - Vai impedir o público de ter acesso a livros? O que vem depois? Fechar ONGS que doam alimentos? Proibir arco-íris de surgirem no céu?

- Argh!

Ao fim de dois meses, Arthur Mclachlan perdera todo o seu poder sobre mim. Quando Mateo o via chegando, ainda corria - ou, neste caso em especial, agachava-se atrás de mim - para se esconder, mas eu não. Eu era mais durona... e, o mais importante, tinha passado a gostar daquele senhor.

(GILMORE, 2024).  

Entretanto, após dizer umas duras verdades a Sloane em uma de suas visitas, Arthur deixa de aparecer na biblioteca. Embora tenha ficado chateada com as palavras de seu beligerante amigo, a jovem, preocupada com a saúde dele, decide pesquisar seu endereço no cadastro da biblioteca e visitá-lo. Ao descobrir o que Sloane fez, sua chefe a dispensa, pois acessar informação pessoal dos usuários contraria as normas do serviço. 

A demissão é um baque para Sloane, que realmente gostava do trabalho na biblioteca. Contudo, ela não se arrepende de sua atitude, já que, ao procurar Arthur, descobre que o idoso estava bastante adoentado e, sendo um homem solitário, precisando de ajuda. Sloane, que, até então, tinha uma vida sem muito entusiasmo, um noivado sem nenhuma paixão e um relacionamento ruim com os pais, encontra em Arthur um amigo que lhe permite viver com intensidade e ser ela mesma. Ainda que precise de uma pessoa para lhe auxiliar com sua saúde, Arthur não aceita contratar Sloane, agora desempregada, como sua cuidadora, mas sim como bibliotecária, para catalogar e organizar seus muitos livros espalhados pela casa. 

O noivo de Sloane, Brett Marcowitz, um homem metódico e controlador, obviamente, não concorda com esse arranjo. Embora não impeça a noiva de estar com Arthur, Brett não vê a hora de se casar e levar Sloane para Boston, do outro lado do país. Não que seja uma pessoa exatamente ruim, mas é extremamente incômodo que Brett não dê espaço e voz para Sloane em seu relacionamento, sob a desculpa de que estaria fazendo o melhor para ela. Já com a data do casamento se aproximando e com Brett e sua família decidindo tudo por ela, Sloane se vê incapaz de reagir àquela situação e deixar o noivo, que tem consciência de não amar. Além disso, pelo menos para mim, é difícil ter simpatia por um quiropraxista que gosta de ser chamado de doutor, orgulha-se de ter um Tesla e que tem uma família insuportável, a qual perceptivelmente se desfaz de Sloane por ela ser bibliotecária. 

Enquanto cuida de Arthur (ou melhor, de seus livros), Sloane tem a ideia de fazer algo que nunca conseguiu levar adiante enquanto estava na biblioteca: um clube de leitura. Aos poucos, outros personagens se juntam a eles nessa empreitada, para aparente desespero de Arthur - Maisey, a vizinha da frente que tem um péssimo relacionamento com a filha adolescente; Greg, o neto de Arthur, que inicialmente tem dificuldade em se reaproximar do avô; Mateo, que trabalhava com Sloane na biblioteca; e Nigel, um antigo amigo (e depois desafeto) de Arthur.  A casa do professor de literatura, antes vazia e melancólica, ganha movimento novamente e o coração do idoso vai, aos poucos, tornando-se menos endurecido.

Durante os encontros para debater os livros, os personagens vão descobrindo que as obras escolhidas para o clube -  Os Vestígios do Dia, O Clube da Felicidade e da Sorte e Anne de Green Gables - possuem muitos paralelos com suas vivências pessoais. Todos têm dificuldades em se relacionar com familiares, companheiros e amigos e em lidar com perdas, muitas vezes irreparáveis - como Sloane, que ainda criança perdeu a irmã; Greg, que há poucos meses perdeu a mãe; e Arthur, que perdeu a esposa e a filha. O papel da figura materna também é algo muito presente na narrativa, seja pela ausência das mães ou por sua superproteção, especialmente quando se consideram os relacionamentos entre Maisey e Bella, entre Mateo e Althea e entre Greg e Hannah. 

Do ponto de vista literário, eu diria que o texto de Lucy Gilmore é um tanto simplório em relação ao uso da linguagem, já que não se vale de muitos recursos expressivos e não deixa as coisas nas entrelinhas ou muito abertas a interpretações. É tudo bem direto, sem muita margem para deixar o leitor com dúvidas ou surpreendê-lo. É o tipo de livro no qual, em muitos momentos, você já sabe o que acontecerá nas páginas seguintes. Mas acho que isso ocorre com muitas obras da chamada YA (Young Adults, romances para "jovens adultos"), que, creio, é a categoria na qual Clube de Leitura dos Corações Solitários se enquadra. Contudo, o romance vai melhorando com o passar dos capítulos, à medida em que os personagens ganham um pouco mais de profundidade. Considero que a proposta de vários personagens narrando, que seria uma boa oportunidade para experimentar em termos linguísticos e formais, é subaproveitada por Gilmore, pois não se nota muita diferença entre os discursos dos diferentes narradores - a parte de Arthur, sem dúvida, é a melhor. 

Por fim, cabe destacar que o "trabalho da citação", para lembrar de Antoine Compagnon, que os agora amigos do clube do livro empreendem em conjunto na parte final da narrativa é tocante. Clube de Leitura dos Corações Solitários é um romance delicado, mas felizmente não muito água com açúcar, especialmente graças ao temperamento do Sr. McLachlan. 

A edição imprensa brasileira traz como brinde uma cartela de adesivos. Para quem tiver interesse, o livro também está disponível na BibliOn, a Biblioteca Digital Gratuita do Estado de São Paulo. 


Referência:

GILMORE, Lucy. Clube de Leitura dos Corações Solitários. Tradução de Lígia Azevedo. 1. ed. São Paulo: Buzz Editora, 2024, 358 p. 

Preço médio: R$ 45,00 a R$ 60,00.


sábado, 25 de janeiro de 2025

Notas de leitura #3: O círculo dos Mahé, de Georges Simenon

Capa da edição brasileira do romance O círculo dos Mahé, de Georges Simenon.


O belga Georges Simenon se notabilizou como um dos mais prolíficos e populares escritores do século XX, em grande medida, devido ao sucesso de seus romances policiais, muitos deles protagonizados pelo Comissário Maigret, seu personagem mais famoso. Entretanto, uma faceta menos conhecida, mas, a meu ver, mais interessante do autor é aquela que Simenon revela nos seus chamados "romances duros" (romans durs).

Nesses romances, que geralmente não são tramas policiais - ainda que O quarto azul, por exemplo, possa ser considerado também policial -, Simenon desenvolve narrativas mais realistas e psicológicas. Não são romances duros no sentido de serem obras difíceis de ler. Ao contrário, o escritor tem um estilo de escrita muito claro e direto. São obras nas quais Simenon se dedica a compor narrativas livres das convenções do romance policial. Eu diria também que são duros por serem narrativas que revelam uma atmosfera social sufocante e melancólica. Quase sempre as histórias se desenrolam em cidades pequenas, com famílias de classe média. Seus protagonistas tendem a ser pessoas angustiadas, submetidas a rotinas monótonas, mas que, em dado momento, confrontam-se com situações que os farão enxergar de forma diferente aspectos de suas existências. Assim, eles experimentam um grande conflito interno, pois quase sempre o que desejam contrasta com a vida que efetivamente levam. 

O círculo dos Mahé (Le Cercle des Mahé, publicado originalmente em 1946), sobre o qual falo aqui, é um desses romances. Desconfio que seja dos mais obscuros de Simenon, já que as traduções para o inglês e o português são relativamente recentes. Na narrativa, François Mahé é um médico de 32 anos, que leva uma vida pacata e entediante. Tem um casamento sem nenhuma paixão com Hélène e dois filhos pequenos. Sua mãe, na casa de quem ainda mora, é extremamente controladora, tendo escolhido sua esposa e também imposto a François seguir a prestigiosa carreira de médico. A pequena cidade onde vive, Saint-Hilaire, é cheia de pessoas aparentadas - o que se nota nas fachadas das lojas, em muitas das quais o sobrenome Mahé figura -, e circulam muitas histórias sobre seus familiares, como seu pai, que François perdeu quando ainda era bem pequeno. O médico se sente preso nesse círculo, sempre obrigado a fazer o que esperam que ele faça - daí o título da obra. 

Contudo, as coisas começam a mudar quando os Mahé viajam de férias para a ilha de Porquerolles, no Mediterrâneo. Um dia, enquanto está pescando, François é chamado para atender a uma enferma, já que o médico local estava fora. Ao chegar na moradia, um galpão do exército ocupado pela família, a mulher, mãe de três crianças, já havia falecido. A filha mais velha, Elizabeth, que traja um vestido vermelho, chama a atenção do médico naquele ambiente extremamente pobre e sujo. O negligente marido da falecida e pai das crianças, Frans Klamm, um ex-legionário visto com desconfiança pelos locais, está também longe da ilha, gastando seu pouco dinheiro em bebedeiras, e precisa ser encontrado para cuidar do sepultamento. 

A partir daí, François desenvolve uma fixação pela figura da garota em seu vestido vermelho. Ele não chega a abordá-la e nem conversar com ela, mas gosta de observá-la, saber de Elizabeth. E, nos anos que se seguem, sempre arranja um pretexto para retornar à localidade e ver a garota. Não é exatamente uma paixão ou desejo sexual pela jovem, mas um sentimento platônico e um fascínio por sua imagem, que representa algo diferente da vida cinzenta que o médico leva em casa. A ilha também o atrai: tudo é desafiador e mais desordenado em Porquerolles, o calor é intenso e nauseante e até os peixes são mais difíceis de serem fisgados, diferentemente da apatia de seu casarão em Saint-Hilaire, com seu jardim gradeado. 

Elizabeth, que continua a usar o seu (talvez único) vestido vermelho, passa a cuidar dos irmãos menores e da casa com grande zelo, o que faz com que os ilhéus admirem a determinação da jovem. No terceiro ano que retornam a Porquerolles, os Mahé levam um sobrinho de Hélène, Alfred, rapaz de 19 anos prestes a ir para a universidade. É então que se dá o ponto mais crítico, do ponto de vista ético, da narrativa: François persuade o rapaz a se envolver com Elizabeth. O médico ouve, com um misto de interesse e raiva, os relatos de Alfred sobre suas investidas. Até que, em uma de suas visitas, Alfred faz sexo com Elizabeth - ao que tudo indica, uma relação forçada. François, de início, chega a sentir certo prazer ao saber da violação da jovem, pois acredita que sua "desonra" seria uma forma de macular a imagem que tem da moça e, assim, dar fim ao sentimento que nutre por ela. Porém, a consciência desse ato - que, afinal, foi por ele próprio orquestrado - só o consome ainda mais. 

"Uma obsessão", diz Balzac, citado por Alberto Manguel, "é um prazer que atingiu a condição de ideia". E é isso o que Elizabeth representa para François. 

Não estava sequer apaixonado. Se estivesse, o problema sem dúvida teria sido muito mais simples. 

Era uma obsessão, eis a palavra. E aquilo tinha começado desde o primeiro dia, porém débil, insidiosamente, como as doenças incuráveis que só constatamos quando já é tarde para tratá-las. 

(...)

Era tudo isso e muitas outras coisas mais, era a negação de sua vida, de tudo que tinha sido sua vida, da casa cinzenta, quadrada e severa como um jogo de construção, com buxos esculpidos por seu antecessor maníaco e um portão de ferro escuro, um homem gordo de trinta e cinco anos - pois agora ele tinha trinta e cinco anos - brincando de fazer roncar sua motocicleta ao longo dos caminhos, brincando de pescar, caçar perdizes ou coelhos, a negação de Saint-Hilaire e de duas mulheres costurando para ele o dia inteiro e avisando quando devia mudar de cueca. 

(SIMENON, 2018).

 

A doença e a morte da mãe - que provavelmente era quem realmente prendia François em Saint-Hilaire - abalam o médico e ele vai se tornando uma figura cada vez mais alheia à família. François passa a beber frequentemente e só se sente melhor quando está na pequena ilha do Mediterrâneo, onde já é uma figura conhecida e estimada pelos locais. Elizabeth, que viria a se mudar com os irmãos para outra localidade e se tornaria uma costureira de boa reputação, continua a ser uma aspiração inalcançável para François. Sua crescente angústia e a sensação de se ver sem saída o levarão a tomar uma atitude que, finalmente, o fará se sentir livre. 

Cabe destacar, ainda, como a pesca é um elemento importante ao longo de todo o romance: de maneira cíclica, a narrativa inicia e se encerra com cenas de pescaria. É significativo também que Hélène não goste de entrar no mar e nem de peixes de água salgada, assim como a mãe de François deixe de comer peixe, o que indica como as ações dessas mulheres se distanciam do que ele almeja. A corvina é o peixe que François, desde o início, tenta fisgar, mas demorará anos até que ele, enfim, consiga pegar uma; já o congro, o peixe comprido e bravo que se esconde em um buraco, talvez represente a própria ilha de Porquerolles, hostil e estranha. 

Se comparado a outros livros de Georges Simenon, O círculo dos Mahé tem um ritmo mais lento e segue uma estrutura narrativa mais linear. O livro, contudo, ganha muita densidade no desenvolvimento de François Mahé, ao mergulhar em sua atormentada mente, revelando seus sentimentos, frustrações e sonhos. 

Para quem tiver interesse, o romance está disponível na BibliOn, a Biblioteca Digital Gratuita do Estado de São Paulo. 


Referência: 

SIMENON, Georges. O círculo dos Mahé. Tradução de André Telles. São Paulo: Cia. das Letras, 2018. 


sábado, 18 de janeiro de 2025

12 livros para ler em 2025

Os doze livros de ficção que pretendo ler em 2025.


Como vocês sabem, sou perita na arte de fazer planos que não sou capaz de cumprir. Porém, mesmo já imaginando que provavelmente terei dificuldades de levar tal ideia adiante, ao menos uma tentativa de (sob muitas aspas) "planejamento" de leituras a serem feitas ao longo do ano é algo importante para mim. Acredito que isso me oferece um bom ponto de partida. 

Gosto também de tentar sempre estabelecer uma meta anual de livros para ler - geralmente, 25 livros, uma média de pouco mais de dois por mês. Então, dentre esses 25, estariam os doze livros elencados aqui, que seriam os prioritários, e mais outros treze que surgiriam ao longo do ano. 

Acho interessante, ainda, manter um registro escrito das coisas que li, em um caderno ou em um blog (como, aliás, em tese, é o objetivo deste). Creio que consigo apreender melhor as informações do que leio quando escrevo. No ano passado, infelizmente, não fiz nada disso - nem lista de livros, nem meta de leitura, nem anotações - e li bem pouco. E os livros que li ficaram meio difusos na minha mente, pois não fiz registro escrito. 

Montando minha lista de 12 livros para ler em 2025, lembrei também que nunca concluí as listas dos anos anteriores, pois sempre surgiram outros livros no meio do caminho e os meus planos mudaram completamente. Sendo assim, a lista de 2025 terá vários livros não lidos da lista de 2023... Em 2024, como disse antes, não fiz lista. 

Para 2025, o principal critério que adotei foi elencar livros que já possuo nas minhas estantes, além, é claro, de serem obras que pretendo ler há tempos. Também só selecionei obras de ficção. Enfim, eis a famigerada lista. 



Doze livros para ler em 2025:

1. Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac; 

2. O perfume, de Patrick Süskind;                            

3. Ardil-22, de Joseph Heller;      

4. The Buenos Aires Affair, de Manuel Puig;

5. MANIAC, de Benjamín Labatut;

6. Olhos d'água, de Conceição Evaristo;

7. O coração das trevas, de Joseph Conrad;

8. A zona de interesse, de Martin Amis;

9. A distância entre nós, de Thirty Umrigar;

10. O processo, de Franz Kafka;

11. O cerco, de Alejo Carpentier;

12. Daisy Jones & The Six: uma história de amor e música, de Taylor Jenkins Reid.


domingo, 12 de janeiro de 2025

Notas de leitura #2 - O capricórnio se aproxima, de Flavio Cafiero

Capa de O capricórnio se aproxima, de Flavio Cafiero.


Como disse há alguns dias, não fui das melhores leitoras no ano que passou. Li bem menos do que gostaria e não fiz, como pretendia, um registro das leituras. Contudo, alguns livros foram tão interessantes que consigo ainda puxar pela memória duas ou três coisas sobre eles. 

É o caso de O capricórnio se aproxima, novela publicada em 2014 pelo escritor carioca Flavio Cafiero. Lançada somente em formato digital, integra o selo JOTA, que propõe desafios relativos a aspectos linguísticos e formais aos autores para a composição de seus textos. Um das restrições propostas ao escritor é das mais difíceis, penso eu, do ponto de vista linguístico: não usar adjetivos. Apesar de o adjetivo não ser o núcleo do sintagma nominal e este tipo de sintagma aparecer em posição de sujeito na oração, no caso das orações com verbo de ligação a coisa se complica um pouco, já que o sintagma adjetival (que tem, como o nome indica, o adjetivo como núcleo) costuma ser o predicativo. Tive a sensação de ver passar um ou outro adjetivo durante a leitura, mas não me detive nesses pormenores. 

Voltando a O capricórnio se aproxima, a narrativa acompanha o cotidiano do taxista João, mostrando suas relações familiares, num vaivém entre a sua infância e a vida adulta. Vivendo no Rio de Janeiro pouco antes da Copa do Mundo de 2014, João está às voltas com o uso de GPS e aplicativos e tentando aprender inglês para atender aos turistas. Além dos desgastes com o trabalho e com o casamento - João desconfia que a esposa o traiu com um vizinho jovem -, outras divergências e situações familiares emergem ao longo do texto. O taxista lembra da irmã, que foi embora de casa na juventude para viver um relacionamento com uma amiga, para desagrado dos pais, que sempre fizeram comentários homofóbicos. Ele precisa também lidar com a doença do pai idoso, que, de acordo com a linguagem cifrada de sua família, virou uma pessoa "de capricórnio". Interessante, ainda, é a dinâmica entre João adulto e o amigo Souza, que dirige o seu táxi no contraturno.

Os capítulos são curtos - até por conta de outra exigência do desafio, de que não deveriam ultrapassar 500 palavras - e se desenrolam de forma bastante ágil - talvez por não existirem aqui tantos floreios, dada a ausência dos adjetivos, e os períodos tenderem a não ser longos -, acompanhando a rotina e as recordações de João, enquanto ele se desloca pelos bairros do Rio, como Copacabana, Tijuca, Vila Isabel... Além das restrições da JOTA, O capricórnio se aproxima brinca com a linguagem ao tratar de expressões que os adultos usam como eufemismos para assuntos que as crianças não podem ouvir. Assim, ser uma pessoa "de capricórnio", a expressão de maior destaque no livro, o leitor não tardará a descobrir que não é algo que se refere propriamente ao signo astrológico. 

Há diversas outras expressões que adquirem sentidos inesperados no texto, conferindo-lhe ironia e humor, como "vendedor de enciclopédia" e "trabalhar no banco", que se referem à homossexualidade, e "fazer aula de violão" e "comer pudim de pão", que indicam sexo. Essas enigmáticas expressões usadas pelos adultos para ocultar de João assuntos que consideravam inadequados para crianças ou para disfarçar seus preconceitos continuaram a reverberar na mente do homem de meia-idade, ainda que agora ele já entendesse perfeitamente o seu significado. 

Para quem se interessar, é possível encontrar a obra de Cafiero na BibliOn, a Biblioteca Digital Gratuita do Estado de São Paulo. 


Referência:

CAFIERO, Flavio. O capricórnio se aproxima. 1. ed. JOTA; e-galaxia, 2014. 


domingo, 27 de agosto de 2023

Doze livros para ler em 2023

Sei que já estamos nos encaminhando para o último terço do ano, mas acho que em um blog como este, que se pretende "literário" (sob muitas aspas), é interessante existir algum planejamento desse tipo. Qualquer pessoa que porventura venha a navegar por estas páginas facilmente perceberá que organização não é o meu forte, ainda que eu sempre a almeje. Por isso, um tanto vergonhosamente, posto finalmente hoje, em fins de agosto (!), a minha listagem de planejamento de leituras para 2023. 

Estou dando uma "trapaceada" na lista, por assim dizer, pois incluí nela três títulos que já li esse ano e sobre os quais pretendo comentar aqui no blog. Conseguirei ler todos os outros em apenas quatro meses? Provavelmente não. Mas ao menos essa lista de intenções fica registrada aqui e os que eu não conseguir ler entram na minha lista dos "livros não lidos de anos anteriores mas que ainda pretendo ler". É que sempre fujo de alguma forma do planejado para o ano, pois surgem outros livros no meio do caminho e alguns livros da lista anual acabam não sendo lidos, juntando-se aos que também não foram lidos dos anos anteriores - o que, como dá para perceber, é algo interminável.

Adicionei à lista de 2023 apenas livros de ficção. Dessa vez, nenhum dos livros é de poesia, pois, a bem da verdade, eu leio bem menos poesia do que prosa. Livros de outros gêneros não literários, como obras sobre história, música, cinema, biografias etc., não entraram aqui. Penso que essa lista também não está tão diversa, como seria desejável: há mais autores homens que mulheres e a maior parte dos selecionados são europeus. Por outro lado, tentei incluir obras mais recentes - o que costuma ser uma dificuldade para mim -, como as de Echenoz e Reid.

Enfim, eis a lista.



Doze livros para ler em 2023:

1. O quarto azul, de Georges Simenon; 

2. Você gosta de Brahms..., de Françoise Sagan;

3. 14, de Jean Echenoz;

4. O perfume, de Patrick Süskind;

5. Ardil-22, de Joseph Heller;

6. Dublinenses, de James Joyce;

7. Coração das trevas, de Joseph Conrad;

8. A zona de interesse, de Martin Amis;

9. A distância entre nós, de Thirty Umrigar;

10. O processo, de Franz Kafka;

11. O cerco, de Alejo Carpentier;

12. Daisy Jones & The Six: uma história de amor e música, de Taylor Jenkins Reid.


Sendo otimista, espero consegui ler boa parte dos livros da lista nos meses seguintes, sem procrastinar e não desviar tanto da rota. Veremos. 

Por fim, desejo boas leituras também para os poucos leitores deste blog! 


domingo, 4 de julho de 2021

Notas de leitura #1: Diário em tópicos: guia prático, de Rachel Wilkerson Miller

Em geral, não me deixo influenciar pelos modismos ou "tendências" difundidos nas redes sociais, como os relacionados à culinária (fotos e vídeos com receitas mirabolantes passando pela sua timeline), os vídeos de maquiagem e cuidados com a pele, a onda de livros de colorir para adultos (com direito a lives de pintura!), entre vários outros. O meio booktuber também está repleto de modismos literários, especialmente relacionados às obras classificadas como "YA" (Young Adults) e séries de livros. Há quem curta, e eu respeito, mas dispenso. Esses modismos tendem a reforçar hábitos de consumo e promovem uma exposição muitas vezes desnecessária das pessoas, ao meu ver. 

Porém, apesar de todas as reservas que tenho, devo confessar que um modismo me fisgou: é o dos vídeos e imagens sobre planner e bullet journal. Trata-se de cadernos de organização de rotina que têm características um pouco diferentes das tradicionais agendas, podendo mesmo, no caso do bullet journal (ou simplesmente bujo, ou dot journal ou, ainda, traduzindo, diário em tópicos) ter elementos dos centenários diários. Acho bem interessante a proposta do bullet journal, um método de organização bastante flexível e que permite a quem o mantém exercitar criatividade ao criar layouts para as páginas. Acredite, há canais apenas sobre isso no YouTube!  

É bem verdade também que, antes de conhecer mais sobre esses planejadores, eu já gostava muito de blogs e programas de TV sobre organização e decoração de ambientes. Acho que os bujos e planners são apenas uma outra vertente de organização. E talvez o que me atraia nesse tipo de conteúdo é justamente o fato de eu ser bastante desorganizada... Ou melhor, eu sempre digo que "minha bagunça é organizada", pois mesmo sendo tudo meio caótico, eu (quase) sempre consigo me achar. 

Pois bem, já conhecendo um pouco sobre bullet journal, mas fugindo dos meus hábitos de leitora, adquiri recentemente o livro Diário em tópicos: guia prático (Dot Journaling: a pratical guide), de Rachel Wilkerson Miller. Editora-chefe de estilo de vida do site Buzzfeed, em Nova York, a jornalista oferece no volume sua visão sobre a técnica desenvolvida por Ryder Carroll, autor de O Método Bullet Journal.

Em um texto claro e de estilo informal, Miller conta inicialmente sobre sua experiência pessoal com diários e agendas, desde a infância, e depois com blogs, até conhecer o bullet journal. Em seguida, a autora busca definir o que é um diário em tópicos, para, ao longo dos capítulos, explorar diversos elementos e layouts de páginas que podem ser utilizados em um caderno desse tipo. Para Rachel Miller, o diário em tópicos é uma combinação de três gêneros: diário, agenda e lista de afazeres: "as agendas e listas de afazeres costumam focar no que você vai fazer, e os diários, no que já fez. Mas combinar tudo isso nos dá um panorama completo de quem somos" (MILLER, 2019, p. 14, grifos da autora).

Assim, o diário em tópicos tende a ser desenvolvido de forma que quem o mantém consiga organizar em um único local suas atividades profissionais, acadêmicas, domésticas, pessoais, financeiras, de saúde, etc. de acordo com suas necessidades e de uma maneira que lhe seja funcional e faça sentido. Miller parece conversar com o leitor, dando dicas sobre como iniciar um dot journal, sobre materiais a utilizar, sobre como reservar um tempo para escrever, sempre ressaltando o caráter "adaptável" da técnica (cf. MILLER, 2019, p. 17). 

Embora frise que não há regras ou exigências, a autora recomenda utilizar um caderno novo, em branco, não importa o tamanho ou modelo - seja sem pauta, pautado, quadriculado ou pontilhado, esse último, o formato preferido da maior parte dos que utilizam o bujo -, mas que seja fácil de carregar ou ter acesso. Como explica Miller, "o mais importante é não ter nenhum tipo de texto impresso que lhe diga o que fazer e onde escrever (...) O problema das agendas e dos diários pré-impressos é que eles não podem prever suas necessidades com exatidão nem acomodá-las direito (MILLER, 2019, p. 12, grifos da autora). 

No entanto, mais do que apenas pensar no diário em tópicos como forma de organização de rotina, um aspecto bastante positivo da obra é o fato de a autora sempre mencionar a importância do hábito diário de escrita e nunca perder de vista a relação desse tipo de registro com o diário, gênero textual que existe há séculos. Há nas páginas entre os capítulos citações de escritores (Franz Kafka, Virgina Woolf), ensaístas (Susan Sontang) e até personagens de ficção conhecidos por seus diários, como Mina, do Drácula de Bram Stoker.  

Ao longo dos capítulos, Rachel Miller cita também exemplos históricos de uso de diários - alguns conhecidos, outros não - como o diário de Mary Vial Holoyke, uma mulher que viveu nos Estados Unidos em fins do século XVIII e registrou, em forma de tópicos datados, vários acontecimentos cotidianos de sua localidade - em seu relato, chama a atenção a grande mortalidade infantil da época (MILLER, 2019, p. 101-103); o caso de Anne Frank relatando como era viver escondida durante o nazismo (MILLER, 2019, p. 113-115); os diários de viagem de Charles Darwin, entre outros. Para a jornalista, 

Escrever sobre si mesmo e sua vida (mesmo que só anotações rápidas) é um imenso privilégio, e esse hábito pode ser incrivelmente libertador. No fundo, um diário é uma declaração de que nossa voz importa. Se a sociedade convenceu você do contrário - de que exprimir suas necessidades é egoísmo, de que sua principal função é cuidar dos outros -, então declarar sua verdade pode ser um ato poderoso (MILLER, 2019, p. 20).
 

Reforçando esse aspecto de valorização da escrita, no final do livro há páginas pontilhadas em branco, para que o leitor possa pôr em prática ou rascunhar ideias para seu próprio diário em tópicos. A versão de Diário em Tópicos que adquiri, inclusive, vem em uma caixa, com um caderno pontilhado "de brinde".

O livro traz muitas ilustrações, que demonstram os exemplos descritos pela autora. Ressalte-se o ótimo trabalho de tradução e adaptação das imagens e do projeto gráfico na edição brasileira, da editora Sextante. Diário em tópicos: guia prático proporciona uma leitura fácil e rápida, indicada para quem tem interesse em organização pessoal, gosta de agendas, planners e materiais de papelaria, e, ainda, para quem gosta de trabalhos manuais e artes gráficas. 

É um tipo de livro que poderia facilmente descambar para o estilo autoajuda, mas Rachel Wilkerson Miller consegue contornar isso e propõe uma obra focada em exemplos práticos da técnica do bullet journal. Em certo sentido, pode-se dizer que este guia é uma obra didática, já que indica procedimentos para registro de hábitos e atividades rotineiras e como fazer diversos modelos de quadros, listagens, títulos, páginas. Acredito apenas que quem já está familiarizado com esse gênero de escrita e planejamento possa achar o livro básico, sem muitas novidades. Mas para iniciantes, como eu, os elementos explorados por Miller propiciam muitas ideias para diários próprios.


Referência:

MILLER, Rachel Wilkerson. Diário em tópicos: guia prático. Tradução de Beatriz Medina. Rio de Janeiro: Sextante, 2019, 240 p. (Edição especial com caderno pontilhado).

Preço médio: R$ 25,00 a R$ 80,00. 


domingo, 7 de fevereiro de 2021

Projeto de leitura: autores vencedores do Prêmio Camões


Considerado o mais importante prêmio literário para autores de língua portuguesa, o Prêmio Camões de Literatura foi instituído em 1988 por meio de um acordo cultural entre os governos do Brasil e de Portugal. Anualmente, um júri composto por representantes de Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) atribui o prêmio a um escritor da comunidade lusófona pelo conjunto de sua obra. Além do reconhecimento da relevância e qualidade de sua obra, já que passa o prêmio possui uma comissão avaliadora, o escritor galardoado recebe uma quantia em dinheiro, custeada pelos governos brasileiro e português. Fora o fato de que esse tipo de distinção costuma implicar também em repercussão midiática internacional e, espera-se, maior difusão de seu trabalho.

Até o momento, em suas mais de trinta edições desde 1989, já foram contemplados escritores portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. Apesar de críticas, como o fato de que a maioria dos escritores que receberam o prêmio são de Portugal e do Brasil e que poucas mulheres foram premiadas ao longo das edições, o Prêmio Camões tem um aspecto que me parece bastante positivo, que é o de considerar autores que compõem suas obras em diferentes gêneros, até mesmo ensaio e crítica e estudos literários, como é caso do mais recente premiado, Vítor Manuel de Aguiar e Silva.

Analisando a listagem dos vencedores do Prêmio Camões, disponível no site da Biblioteca Nacional, percebi que tomá-la como ponto de partida para leituras seria uma excelente forma de conhecer mais obras e autores que, afinal, escrevem em nossa língua. Mas, como são muitos autores já premiados ao longo das últimas décadas, opto por em 2021 ler obras dos sete primeiros, vencedores entre os anos de 1989 e 1995. E, como a premiação considera o escritor pelo conjunto de sua obra, para desenvolver este projeto de leitura, escolhi um livro de cada um autor para ler.

Desta forma, a seleção foi a seguinte:

Autores vencedores do Prêmio Camões (entre 1989 e 1995):

- 1989 - Miguel Torga (Portugal)
    Livro escolhido: Contos da montanha;

- 1990 - João Cabral de Melo Neto (Brasil)
    Livro escolhido: Morte e Vida Severina;

- 1991 - José Craveirinha (Moçambique)
    Livro escolhido: Karingana ua Karingana;

- 1992 - Vergílio Ferreira (Portugal)
    Livro escolhido: Aparição;

- 1993 - Rachel de Queiroz (Brasil)
    Livro escolhido: As três Marias;

- 1994 - Jorge Amado (Brasil)
    Livro escolhido: Terras do Sem-fim;

- 1995 - José Saramago (Portugal)
    Livro escolhido: Memorial do Convento.




Infelizmente, diferentemente das outras duas listagens de leituras dos projetos que pensei para 2021, não possuo ainda todos os livros que selecionei. Mas espero adquirir em breve os que ainda não tenho. E, como nos outros projetos já descritos no blog, também nesse caso não estou definindo uma data para a leitura de cada obra, apenas estabelecendo que essas leituras devem ser realizadas em 2021. Nos próximos anos, continuarei a ler os demais autores que já foram contemplados pelo Prêmio Camões.

Enfim, estabelecidos os três projetos que nortearão minhas leituras do presente ano, sigamos em frente!


domingo, 31 de janeiro de 2021

Projeto de leitura: livros sobre música

Além dos Doze livros para ler em 2021, que é um projeto de leitura especificamente para esse ano, pensei em outros dois projetos de leitura, mas que devem se desenvolver em longa duração, isto é, apenas começarão em 2021. O primeiro deles, sobre o qual falarei aqui, é o de leitura de livros sobre música.

Apesar de não ter nenhuma formação na área musical, eu sempre gostei muito de música, especialmente música popular (leia-se: especialmente rock) e até já mantive blog sobre isso um tempo atrás. Por gostar de música, eu também tomei gosto por ler sobre o assunto e sempre que posso compro um novo livro sobre alguma banda ou músico. A maior parte desses livros são, é claro, biografias, mas há também livros com entrevistas, livros sobre letras de canções, livros com crônicas/críticas, livros sobre história e sociologia da música e até HQ!

Pelo menos do que percebo sobre as pessoas que comentam sobre livros na internet, essa temática não é das favoritas de blogueiros e booktubers. Então, espero que eu possa trazer alguma contribuição um pouco diferente e, quem sabe, estimular mais pessoas a escutar e ler sobre música também.

Dessa vez, fui mais modesta e escolhi seis títulos, até porque a ideia é continuar a ler livros sobre música no próximo ano. Assim como no projeto de leitura de 2021, todos os livros que selecionei já possuo em formato físico - sim, sou meio "old school" e prefiro livro em papel mesmo. Também não defini uma ordem para as leituras, apenas delimitei que devem ser realizadas esse ano, o que dá uma média de um livro a cada dois meses.

Bem, os livros sobre música que pretendo ler em 2021 são os seguintes:



Projeto Música:

- As raízes do rock, de Florent Mazzoleni;

- Jerry Lee Lewis: sua própria história, de Rick Bragg;

- Beatles 1966: o ano revolucionário, de Steve Turner;

- Captain Fantastic: a espetacular trajetória de Elton John nos anos 1970, de Tom Doyle;

- Magnéticos 90: a geração do rock brasileiro lançada em fita cassete, de Gabriel Thomaz e Daniel Juca;

- Do rock ao clássico: cem crônicas afetivas sobre música, de Arthur Dapieve.


Tenho a intenção, da mesma forma que em relação aos outros projetos, de fazer postagens sobre esses títulos aqui no blog. 

Então, embarquemos nessa viagem pelo mundo da música!



quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Doze livros para ler em 2021

Muitos blogs e canais no YouTube sobre livros costumam divulgar no início de cada ano uma listagem com os livros que o blogueiro/booktuber pretende ler. Gosto dessa proposta e decidi adotá-la n'O Gato na Estante também. Como estamos na primeira quinzena de janeiro, ainda está em tempo de preparar uma lista do tipo.

A maior parte das pessoas elabora listas com dez ou doze livros, então optei aqui por uma dúzia de obras. Mas minha meta de leitura pessoal para 2021 é um pouco maior: ler 25 livros ao longo do ano. Acho que essa é uma meta possível para mim, considerando as minhas outras atividades semanais. Dá uma média de pouco mais de dois livros por mês, o que é bastante razoável se pararmos para pensar. Sei que há pessoas que leem muito mais, mas eu sou leeentaa e prefiro pensar em um projeto de leitura que eu seja capaz de cumprir satisfatoriamente. 

Além disso, registro aqui que a ideia de metas/objetivos de leitura anuais - algo que, aliás, está presente em projetos de pesquisa - é uma forma de ajudar a me organizar melhor como leitora, como estudante e como pesquisadora, nada tem a ver com uma perspectiva empresarial/mercadológica. Isto é, não quero ficar "batendo metas", ler simplesmente para atingir um número "x" de livros lidos. Desejo ler de forma prazerosa, sem pressa e aproveitando o máximo de cada obra.

Pois bem, para elaborar essa lista especificamente, pensei em doze títulos que queria ler há muito tempo e que já possuo aqui nas estantes. São todas obras literárias, quase todas em prosa, a maioria romances e que nunca li antes. Quero ler algumas outras coisas, especialmente relacionadas à música, mas como são obras biográficas e jornalísticas, não as incluí nessa lista. Também não incluí obras historiográficas, com as quais lido mais diretamente, e nem livros que pretendo reler.

E nada de estímulo ao consumismo: vamos tratar de ler livros que já temos, dando-lhes um destino muito mais interessante do que ficar simplesmente acumulando poeira nas estantes, certo? E, sim, eu sou bem arcaica e prefiro o livro em papel, formato físico. 

Sem mais delongas, eis os doze escolhidos. 


Doze livros para ler em 2021:

1) Emma, de Jane Austen;

2) Uma vida em segredo, de Autran Dourado;

3) Prece a uma aldeia perdida, de Ana Miranda;

4) Laços de família, de Clarice Lispector;

5) Dentro de mim faz sul seguido de Acto sanguíneo, de Ondjaki;

6) A manta do soldado, de Lídia Jorge;

7) Meu marido, de Livia Garcia-Roza;

8) O tigre branco, de Aravind Adiga;

9) A gloriosa família: o tempo dos flamengos, de Pepetela;

10) Os passos perdidos, de Alejo Carpentier;

11) Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer;

12) Jane Eyre, de Charlotte Brontë.

Sobre a composição da lista, há nela seis mulheres e seis homens como autores. E, no que diz respeito às nacionalidades dos escritores, há quatro brasileiros (Ana Miranda, Autran Dourado, Clarice Lispector e Livia Garcia-Roza), três do Reino Unido (Jane Austen, Charlotte Brontë e Chaucer), dois angolanos (Pepetela e Ondjaki), um cubano (Carpentier), uma portuguesa (Lídia Jorge) e um indiano (Adiga). Estou lendo traduções das obras que são originalmente em inglês e espanhol.

Importante destacar que, apesar de eu os ter enumerado na lista acima, não defini uma ordem para ler os doze livros. Não há um livro para um mês específico, a ideia é que eu consiga ler esses doze títulos ao longo do ano, sem maior imposição de um prazo ou ordem definidos (ok, há um prazo geral de um ano, mas não há rigidez na condução das leituras). Essas doze obras serão contabilizadas na meta total de 25 livros do ano. 

Então, mãos à obra! Será que consigo? Conforme as leituras forem acontecendo, pretendo fazer postagens sobre os livros no blog.

E convido a quem estiver lendo esse post que também participe do desafio e pense em doze livros para ler em 2021!