domingo, 4 de julho de 2021

Notas de leitura #1: Diário em tópicos: guia prático, de Rachel Wilkerson Miller

Em geral, não me deixo influenciar pelos modismos ou "tendências" difundidos nas redes sociais, como os relacionados à culinária (fotos e vídeos com receitas mirabolantes passando pela sua timeline), os vídeos de maquiagem e cuidados com a pele, a onda de livros de colorir para adultos (com direito a lives de pintura!), entre vários outros. O meio booktuber também está repleto de modismos literários, especialmente relacionados às obras classificadas como "YA" (Young Adults) e séries de livros. Há quem curta, e eu respeito, mas dispenso. Esses modismos tendem a reforçar hábitos de consumo e promovem uma exposição muitas vezes desnecessária das pessoas, ao meu ver. 

Porém, apesar de todas as reservas que tenho, devo confessar que um modismo me fisgou: é o dos vídeos e imagens sobre planner e bullet journal. Trata-se de cadernos de organização de rotina que têm características um pouco diferentes das tradicionais agendas, podendo mesmo, no caso do bullet journal (ou simplesmente bujo, ou dot journal ou, ainda, traduzindo, diário em tópicos) ter elementos dos centenários diários. Acho bem interessante a proposta do bullet journal, um método de organização bastante flexível e que permite a quem o mantém exercitar criatividade ao criar layouts para as páginas. Acredite, há canais apenas sobre isso no YouTube!  

É bem verdade também que, antes de conhecer mais sobre esses planejadores, eu já gostava muito de blogs e programas de TV sobre organização e decoração de ambientes. Acho que os bujos e planners são apenas uma outra vertente de organização. E talvez o que me atraia nesse tipo de conteúdo é justamente o fato de eu ser bastante desorganizada... Ou melhor, eu sempre digo que "minha bagunça é organizada", pois mesmo sendo tudo meio caótico, eu (quase) sempre consigo me achar. 

Pois bem, já conhecendo um pouco sobre bullet journal, mas fugindo dos meus hábitos de leitora, adquiri recentemente o livro Diário em tópicos: guia prático (Dot Journaling: a pratical guide), de Rachel Wilkerson Miller. Editora-chefe de estilo de vida do site Buzzfeed, em Nova York, a jornalista oferece no volume sua visão sobre a técnica desenvolvida por Ryder Carroll, autor de O Método Bullet Journal.

Em um texto claro e de estilo informal, Miller conta inicialmente sobre sua experiência pessoal com diários e agendas, desde a infância, e depois com blogs, até conhecer o bullet journal. Em seguida, a autora busca definir o que é um diário em tópicos, para, ao longo dos capítulos, explorar diversos elementos e layouts de páginas que podem ser utilizados em um caderno desse tipo. Para Rachel Miller, o diário em tópicos é uma combinação de três gêneros: diário, agenda e lista de afazeres: "as agendas e listas de afazeres costumam focar no que você vai fazer, e os diários, no que já fez. Mas combinar tudo isso nos dá um panorama completo de quem somos" (MILLER, 2019, p. 14, grifos da autora).

Assim, o diário em tópicos tende a ser desenvolvido de forma que quem o mantém consiga organizar em um único local suas atividades profissionais, acadêmicas, domésticas, pessoais, financeiras, de saúde, etc. de acordo com suas necessidades e de uma maneira que lhe seja funcional e faça sentido. Miller parece conversar com o leitor, dando dicas sobre como iniciar um dot journal, sobre materiais a utilizar, sobre como reservar um tempo para escrever, sempre ressaltando o caráter "adaptável" da técnica (cf. MILLER, 2019, p. 17). 

Embora frise que não há regras ou exigências, a autora recomenda utilizar um caderno novo, em branco, não importa o tamanho ou modelo - seja sem pauta, pautado, quadriculado ou pontilhado, esse último, o formato preferido da maior parte dos que utilizam o bujo -, mas que seja fácil de carregar ou ter acesso. Como explica Miller, "o mais importante é não ter nenhum tipo de texto impresso que lhe diga o que fazer e onde escrever (...) O problema das agendas e dos diários pré-impressos é que eles não podem prever suas necessidades com exatidão nem acomodá-las direito (MILLER, 2019, p. 12, grifos da autora). 

No entanto, mais do que apenas pensar no diário em tópicos como forma de organização de rotina, um aspecto bastante positivo da obra é o fato de a autora sempre mencionar a importância do hábito diário de escrita e nunca perder de vista a relação desse tipo de registro com o diário, gênero textual que existe há séculos. Há nas páginas entre os capítulos citações de escritores (Franz Kafka, Virgina Woolf), ensaístas (Susan Sontang) e até personagens de ficção conhecidos por seus diários, como Mina, do Drácula de Bram Stoker.  

Ao longo dos capítulos, Rachel Miller cita também exemplos históricos de uso de diários - alguns conhecidos, outros não - como o diário de Mary Vial Holoyke, uma mulher que viveu nos Estados Unidos em fins do século XVIII e registrou, em forma de tópicos datados, vários acontecimentos cotidianos de sua localidade - em seu relato, chama a atenção a grande mortalidade infantil da época (MILLER, 2019, p. 101-103); o caso de Anne Frank relatando como era viver escondida durante o nazismo (MILLER, 2019, p. 113-115); os diários de viagem de Charles Darwin, entre outros. Para a jornalista, 

Escrever sobre si mesmo e sua vida (mesmo que só anotações rápidas) é um imenso privilégio, e esse hábito pode ser incrivelmente libertador. No fundo, um diário é uma declaração de que nossa voz importa. Se a sociedade convenceu você do contrário - de que exprimir suas necessidades é egoísmo, de que sua principal função é cuidar dos outros -, então declarar sua verdade pode ser um ato poderoso (MILLER, 2019, p. 20).
 

Reforçando esse aspecto de valorização da escrita, no final do livro há páginas pontilhadas em branco, para que o leitor possa pôr em prática ou rascunhar ideias para seu próprio diário em tópicos. A versão de Diário em Tópicos que adquiri, inclusive, vem em uma caixa, com um caderno pontilhado "de brinde".

O livro traz muitas ilustrações, que demonstram os exemplos descritos pela autora. Ressalte-se o ótimo trabalho de tradução e adaptação das imagens e do projeto gráfico na edição brasileira, da editora Sextante. Diário em tópicos: guia prático proporciona uma leitura fácil e rápida, indicada para quem tem interesse em organização pessoal, gosta de agendas, planners e materiais de papelaria, e, ainda, para quem gosta de trabalhos manuais e artes gráficas. 

É um tipo de livro que poderia facilmente descambar para o estilo autoajuda, mas Rachel Wilkerson Miller consegue contornar isso e propõe uma obra focada em exemplos práticos da técnica do bullet journal. Em certo sentido, pode-se dizer que este guia é uma obra didática, já que indica procedimentos para registro de hábitos e atividades rotineiras e como fazer diversos modelos de quadros, listagens, títulos, páginas. Acredito apenas que quem já está familiarizado com esse gênero de escrita e planejamento possa achar o livro básico, sem muitas novidades. Mas para iniciantes, como eu, os elementos explorados por Miller propiciam muitas ideias para diários próprios.


Referência:

MILLER, Rachel Wilkerson. Diário em tópicos: guia prático. Tradução de Beatriz Medina. Rio de Janeiro: Sextante, 2019, 240 p. (Edição especial com caderno pontilhado).

Preço médio: R$ 25,00 a R$ 80,00. 


quinta-feira, 24 de junho de 2021

Organizando a casa

Os últimos meses não foram dos mais fáceis para mim. Como ocorreu com muitas pessoas, infelizmente, eu também perdi familiares com Covid-19. Além dessa tristeza, do choque de saber que pessoas com ainda com tanto a fazer se foram precocemente, vários outros problemas familiares que ocorreram ao mesmo tempo. E então o blog acabou ficando um pouco em stand by durante esse período.

Apesar de não postar nada por aqui, ao menos tenho conseguido razoavelmente realizar as leituras conforme os projetos que defini para 2021 - além de ler algumas coisas "por fora" também, que ninguém é de ferro!

Para começar a "organizar a casa", então, considero que é importante tentar estabelecer alguma estratégia de trabalho e manter um ritmo mais constante de atualizações. Pensei, considerando minha rotina, em fazer duas postagens semanais, às quintas-feiras e aos domingos, que são dias em que tenho mais disponibilidade. É claro que não precisa ser algo engessado, caso eu tenha possibilidade, faço mais postagens. Mas serve para nortear a atividade que espero manter aqui no blog.

Por fim, aos leitores: cuidem-se bem e, se já puderem, vacinem-se! 


domingo, 7 de março de 2021

Maratona Literária: Elas em Prosa (de 08/03 a 21/03/2021) - Os livros que pretendo ler


Descobri no canal Mil Páginas, mantido pelo Netto (@Jo_netto) e que já acompanho há algum tempo no YouTube, que amanhã terá início a primeira edição da Maratona Literária: Elas em Prosa, que está sendo organizada pela Maria Clara Bruno em parceria com outros canais e ocorrerá no período de 8 a 21 de março, iniciando-se, portanto, no Dia Internacional da Mulher. O objetivo da maratona é aproveitar essas duas semanas para lermos obras escritas por mulheres e que falem sobre mulheres, dando maior visibilidade às vozes femininas e às diversidades. 

Confesso que não sou muito chegada à ideia de maratonas que muitos canais de booktubers promovem - me parece algo muito "ler por ler", focado mais na quantidade de livros lidos do que no prazer e nas descobertas que a leitura pode proporcionar. Porém, a proposta dessa maratona literária especificamente me agradou bastante. Achei muito interessantes os itens propostos no bingo literário, pois pensam bastante na representatividade das autoras e temáticas.

Então, essa será a minha primeira vez participando de uma maratona literária! Os livros que selecionei para ler durante a maratona não integram os outros projetos literários que pensei para 2021. São eles:

Maratona Literária: Elas em Prosa

- Ciranda de pedra, de Lygia Fagundes Telles;

- Mulherzinhas, de Louisa May Alcott;

- Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado;

- O mundo inteiro, de Liz Garton e Marla Frazee;

- Mais 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, antologia de contos organizada por Luiz Ruffato.


Acredito que cada livro consiga preencher alguns quadrinhos do bingo, mas deixarei para postar como ficou o preenchimento da cartela ao fim das duas semanas de maratona.

Para quem quiser entender melhor a dinâmica da maratona e participar também, deixo abaixo alguns links importantes:


Participe você também da Maratona Literária: Elas em Prosa e boas leituras! 




domingo, 28 de fevereiro de 2021

Séries literárias para (iniciar em) 2021


Antes de mais nada, devo fazer duas confissões aos leitores deste blog: 1) não sou uma pessoa muito atualizada sobre lançamentos literários, tendo a ler obras já lançadas há bastante tempo - provavelmente quem já acessou postagens aqui percebeu isso; 2) em geral, não gosto de séries literárias, pois quase sempre me parecem ser algo visando mais o lucro do que um compromisso com a composição de um projeto literário propriamente dito. 

Feitas essas ressalvas, tenho de reconhecer que há trilogias, tetralogias ou sei lá qual o número de livros de um projeto ficcional desse tipo, de muita relevância e qualidade. Assim, acredito que quem pretende comentar sobre livros inevitavelmente se confrontará com séries literárias em algum momento. Assim, pensei em começar - veja bem, começar - a ler algumas séries em 2021.

Apesar de aparentarem ser um fenômeno relativamente recente, especialmente a partir de séries como Harry Potter, de J. K. Howling, e Crepúsculo, de Stephanie Meyer, e com o sucesso editorial de obras destinadas a "jovens adultos" (os famosos "YA"Young Adults), gênero no qual as séries abundam, pode-se dizer que há séries literárias bem mais antigas. É o caso de As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, por exemplo, com sete romances publicados entre 1950 e 1956, uma das séries de livros que pretendo iniciar a leitura esse ano.

Também considero que os romances e livros de contos protagonizados pelo detetive Sherlock Holmes, datados de fins do século XIX e início do século XX, de autoria de Arthur Conan Doyle, como um exemplo de série literária. Embora, comparando esses dois exemplos, as obras de Conan Doyle me parecem funcionar bem quando lidas isoladamente, por serem narrativas que adotam um esquema de caso ou aventura por história, enquanto na série de fantasia de C. S. Lewis acredito que a experiência só se completa quando todos os livros são lidos. Já li algumas obras do universo sherlockiano anteriormente, como os romances Um estudo em vermelho, O signo dos quatro e O vale do medo e vários contos, mas agora pretendo ler todas as aventuras do detetive, que foram reunidas em ordem cronológica em uma caixa com quatro volumes lançada pela Harper Collins há alguns anos.

Pensando em um autor brasileiro mais contemporâneo, lembrei que Márcio Souza trabalha há alguns anos nas suas Crônicas do Grão-Pará e do Rio Negro. A tetralogia do escritor amazonense já tem três romances publicados, Lealdade, Desordem e Revolta. O quarto ainda não foi lançado. Possuo apenas o segundo, Desordem, mas acredito não ser difícil obter os demais. Essa série de romances históricos sobre a qual vejo pouca gente comentar, pelo vi, tem como período histórico abordado a Regência e o Segundo Império, o que me pareceu bem rico. 

Um caso um pouco mais complexo é o de O poderoso chefão. Essa série - se é que podemos considerá-la assim - tem sido escrita a muitas mãos. O autor do romance original e que atuou como roteirista dos filmes de Francis Ford Coppola, Mario Puzo, falecido em 1999, escreveu, além do O poderoso chefão, apenas O siciliano, que é uma espécie de romance derivado tendo como foco o período que Michael Corleone passou na Itália. Puzo, entretanto, tem ao menos dois outros livros sobre máfia, mas não relacionados aos Corleone: O último chefão e Omertà. O escritor Mark Winegardner deu continuidade à história da família Corleone após a morte de Puzo, lançando A volta do poderoso chefão e a A vingança do poderoso chefão, em 2004 e 2006, respectivamente. Depois, já em 2012, Ed Falco lançou A família Corleone, baseando-se em um roteiro não aproveitado de Puzo para o cinema.

Minha opinião: acho que Mario Puzo não pretendeu realizar uma série de livros, de fato, mas os herdeiros do autor, as editoras e a Paramount (não sem certas tretas judiciais) resolveram encher os bolsos com mais alguns dólares após sua morte. Enfim, pretendo começar a ler os livros sobre a família Corleone, embora ainda não possua nenhum. E essa deve ser a série que vou demorar mais a iniciar.

Concluindo, são essas quatro séries - ou coisa parecida - que espero começar a ler ainda em 2021:


Séries literárias para (iniciar em) 2021:

- As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis;

Crônicas do Grão-Pará e do Rio Negro, de Márcio Souza;

- Sherlock Holmes (obra completa), de Arthur Conan Doyle;

- O poderoso chefão, de Mario Puzo, Mark Winegardner e Ed Falco. 



domingo, 7 de fevereiro de 2021

Projeto de leitura: autores vencedores do Prêmio Camões


Considerado o mais importante prêmio literário para autores de língua portuguesa, o Prêmio Camões de Literatura foi instituído em 1988 por meio de um acordo cultural entre os governos do Brasil e de Portugal. Anualmente, um júri composto por representantes de Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) atribui o prêmio a um escritor da comunidade lusófona pelo conjunto de sua obra. Além do reconhecimento da relevância e qualidade de sua obra, já que passa o prêmio possui uma comissão avaliadora, o escritor galardoado recebe uma quantia em dinheiro, custeada pelos governos brasileiro e português. Fora o fato de que esse tipo de distinção costuma implicar também em repercussão midiática internacional e, espera-se, maior difusão de seu trabalho.

Até o momento, em suas mais de trinta edições desde 1989, já foram contemplados escritores portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. Apesar de críticas, como o fato de que a maioria dos escritores que receberam o prêmio são de Portugal e do Brasil e que poucas mulheres foram premiadas ao longo das edições, o Prêmio Camões tem um aspecto que me parece bastante positivo, que é o de considerar autores que compõem suas obras em diferentes gêneros, até mesmo ensaio e crítica e estudos literários, como é caso do mais recente premiado, Vítor Manuel de Aguiar e Silva.

Analisando a listagem dos vencedores do Prêmio Camões, disponível no site da Biblioteca Nacional, percebi que tomá-la como ponto de partida para leituras seria uma excelente forma de conhecer mais obras e autores que, afinal, escrevem em nossa língua. Mas, como são muitos autores já premiados ao longo das últimas décadas, opto por em 2021 ler obras dos sete primeiros, vencedores entre os anos de 1989 e 1995. E, como a premiação considera o escritor pelo conjunto de sua obra, para desenvolver este projeto de leitura, escolhi um livro de cada um autor para ler.

Desta forma, a seleção foi a seguinte:

Autores vencedores do Prêmio Camões (entre 1989 e 1995):

- 1989 - Miguel Torga (Portugal)
    Livro escolhido: Contos da montanha;

- 1990 - João Cabral de Melo Neto (Brasil)
    Livro escolhido: Morte e Vida Severina;

- 1991 - José Craveirinha (Moçambique)
    Livro escolhido: Karingana ua Karingana;

- 1992 - Vergílio Ferreira (Portugal)
    Livro escolhido: Aparição;

- 1993 - Rachel de Queiroz (Brasil)
    Livro escolhido: As três Marias;

- 1994 - Jorge Amado (Brasil)
    Livro escolhido: Terras do Sem-fim;

- 1995 - José Saramago (Portugal)
    Livro escolhido: Memorial do Convento.




Infelizmente, diferentemente das outras duas listagens de leituras dos projetos que pensei para 2021, não possuo ainda todos os livros que selecionei. Mas espero adquirir em breve os que ainda não tenho. E, como nos outros projetos já descritos no blog, também nesse caso não estou definindo uma data para a leitura de cada obra, apenas estabelecendo que essas leituras devem ser realizadas em 2021. Nos próximos anos, continuarei a ler os demais autores que já foram contemplados pelo Prêmio Camões.

Enfim, estabelecidos os três projetos que nortearão minhas leituras do presente ano, sigamos em frente!


domingo, 31 de janeiro de 2021

Projeto de leitura: livros sobre música

Além dos Doze livros para ler em 2021, que é um projeto de leitura especificamente para esse ano, pensei em outros dois projetos de leitura, mas que devem se desenvolver em longa duração, isto é, apenas começarão em 2021. O primeiro deles, sobre o qual falarei aqui, é o de leitura de livros sobre música.

Apesar de não ter nenhuma formação na área musical, eu sempre gostei muito de música, especialmente música popular (leia-se: especialmente rock) e até já mantive blog sobre isso um tempo atrás. Por gostar de música, eu também tomei gosto por ler sobre o assunto e sempre que posso compro um novo livro sobre alguma banda ou músico. A maior parte desses livros são, é claro, biografias, mas há também livros com entrevistas, livros sobre letras de canções, livros com crônicas/críticas, livros sobre história e sociologia da música e até HQ!

Pelo menos do que percebo sobre as pessoas que comentam sobre livros na internet, essa temática não é das favoritas de blogueiros e booktubers. Então, espero que eu possa trazer alguma contribuição um pouco diferente e, quem sabe, estimular mais pessoas a escutar e ler sobre música também.

Dessa vez, fui mais modesta e escolhi seis títulos, até porque a ideia é continuar a ler livros sobre música no próximo ano. Assim como no projeto de leitura de 2021, todos os livros que selecionei já possuo em formato físico - sim, sou meio "old school" e prefiro livro em papel mesmo. Também não defini uma ordem para as leituras, apenas delimitei que devem ser realizadas esse ano, o que dá uma média de um livro a cada dois meses.

Bem, os livros sobre música que pretendo ler em 2021 são os seguintes:



Projeto Música:

- As raízes do rock, de Florent Mazzoleni;

- Jerry Lee Lewis: sua própria história, de Rick Bragg;

- Beatles 1966: o ano revolucionário, de Steve Turner;

- Captain Fantastic: a espetacular trajetória de Elton John nos anos 1970, de Tom Doyle;

- Magnéticos 90: a geração do rock brasileiro lançada em fita cassete, de Gabriel Thomaz e Daniel Juca;

- Do rock ao clássico: cem crônicas afetivas sobre música, de Arthur Dapieve.


Tenho a intenção, da mesma forma que em relação aos outros projetos, de fazer postagens sobre esses títulos aqui no blog. 

Então, embarquemos nessa viagem pelo mundo da música!



quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Doze livros para ler em 2021

Muitos blogs e canais no YouTube sobre livros costumam divulgar no início de cada ano uma listagem com os livros que o blogueiro/booktuber pretende ler. Gosto dessa proposta e decidi adotá-la n'O Gato na Estante também. Como estamos na primeira quinzena de janeiro, ainda está em tempo de preparar uma lista do tipo.

A maior parte das pessoas elabora listas com dez ou doze livros, então optei aqui por uma dúzia de obras. Mas minha meta de leitura pessoal para 2021 é um pouco maior: ler 25 livros ao longo do ano. Acho que essa é uma meta possível para mim, considerando as minhas outras atividades semanais. Dá uma média de pouco mais de dois livros por mês, o que é bastante razoável se pararmos para pensar. Sei que há pessoas que leem muito mais, mas eu sou leeentaa e prefiro pensar em um projeto de leitura que eu seja capaz de cumprir satisfatoriamente. 

Além disso, registro aqui que a ideia de metas/objetivos de leitura anuais - algo que, aliás, está presente em projetos de pesquisa - é uma forma de ajudar a me organizar melhor como leitora, como estudante e como pesquisadora, nada tem a ver com uma perspectiva empresarial/mercadológica. Isto é, não quero ficar "batendo metas", ler simplesmente para atingir um número "x" de livros lidos. Desejo ler de forma prazerosa, sem pressa e aproveitando o máximo de cada obra.

Pois bem, para elaborar essa lista especificamente, pensei em doze títulos que queria ler há muito tempo e que já possuo aqui nas estantes. São todas obras literárias, quase todas em prosa, a maioria romances e que nunca li antes. Quero ler algumas outras coisas, especialmente relacionadas à música, mas como são obras biográficas e jornalísticas, não as incluí nessa lista. Também não incluí obras historiográficas, com as quais lido mais diretamente, e nem livros que pretendo reler.

E nada de estímulo ao consumismo: vamos tratar de ler livros que já temos, dando-lhes um destino muito mais interessante do que ficar simplesmente acumulando poeira nas estantes, certo? E, sim, eu sou bem arcaica e prefiro o livro em papel, formato físico. 

Sem mais delongas, eis os doze escolhidos. 


Doze livros para ler em 2021:

1) Emma, de Jane Austen;

2) Uma vida em segredo, de Autran Dourado;

3) Prece a uma aldeia perdida, de Ana Miranda;

4) Laços de família, de Clarice Lispector;

5) Dentro de mim faz sul seguido de Acto sanguíneo, de Ondjaki;

6) A manta do soldado, de Lídia Jorge;

7) Meu marido, de Livia Garcia-Roza;

8) O tigre branco, de Aravind Adiga;

9) A gloriosa família: o tempo dos flamengos, de Pepetela;

10) Os passos perdidos, de Alejo Carpentier;

11) Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer;

12) Jane Eyre, de Charlotte Brontë.

Sobre a composição da lista, há nela seis mulheres e seis homens como autores. E, no que diz respeito às nacionalidades dos escritores, há quatro brasileiros (Ana Miranda, Autran Dourado, Clarice Lispector e Livia Garcia-Roza), três do Reino Unido (Jane Austen, Charlotte Brontë e Chaucer), dois angolanos (Pepetela e Ondjaki), um cubano (Carpentier), uma portuguesa (Lídia Jorge) e um indiano (Adiga). Estou lendo traduções das obras que são originalmente em inglês e espanhol.

Importante destacar que, apesar de eu os ter enumerado na lista acima, não defini uma ordem para ler os doze livros. Não há um livro para um mês específico, a ideia é que eu consiga ler esses doze títulos ao longo do ano, sem maior imposição de um prazo ou ordem definidos (ok, há um prazo geral de um ano, mas não há rigidez na condução das leituras). Essas doze obras serão contabilizadas na meta total de 25 livros do ano. 

Então, mãos à obra! Será que consigo? Conforme as leituras forem acontecendo, pretendo fazer postagens sobre os livros no blog.

E convido a quem estiver lendo esse post que também participe do desafio e pense em doze livros para ler em 2021!


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Palavras iniciais


Ano novo, blog novo. 

Já há algum tempo, eu estava com vontade de escrever novamente, compartilhar um pouco das minhas impressões sobre o que tenho lido, escutado, visto... Para isso, considerei mais apropriado iniciar um novo projeto de blog, pois o meu anterior, o Notas Dissonantes, não foi muito bem desenvolvido. Na verdade, eu não conseguia escrever postagens com regularidade, não tinha um planejamento, não tinha também um foco definido. Tentava falar sobre tudo, mas, no fim, não conseguia escrever sobre nada.

Também nos últimos anos, muito absorvida pelos estudos e pelo trabalho, não fui das melhores leitoras. Não conseguia conciliar as leituras que eu realmente tinha vontade de fazer com a rotina universitária, com os textos e obras relacionadas ao estudo e à pesquisa. Há vários anos - sendo bem sincera, provavelmente desde que eu ingressei na minha primeira graduação -, eu não estava conseguindo ler como eu gostaria. Em geral, eu estava lendo mais por obrigação do que por interesse, o que, francamente, tira muito do prazer da leitura. 

Mas em 2021 quero sair do marasmo e fazer algo diferente do que tenho feito: quero voltar a ler mais! Assim, pensei que manter um blog seria uma maneira interessante de me ajudar nesse processo de redescoberta da literatura. É, eu sei que os blogs atualmente estão meio em decadência, não são mais o meio que as pessoas utilizam com maior frequência para falar sobre livros. Mas, o blog é um espaço no qual me sinto mais confortável para me expressar. Além disso, espero que o blog me auxilie a me organizar mais - pois é, sou uma pessoa bastante desorganizada - e tirar o melhor proveito possível das leituras. Então, O Gato na Estante terá como foco principal os livros, embora de vez em quando eu possa dar uns pitacos sobre outros assuntos também...

É provável que 2021 seja um ano de muitas dificuldades para todos, como foi 2020. A pandemia está aí, talvez mais feroz que nunca, e as perspectivas para o ano que se inicia não são tão agradáveis. Mas desejo que nesse novo ano todos consigam ser vacinados, que o vírus seja contido, que as desigualdades sociais e os preconceitos diminuam cada vez mais, que as pessoas consigam dialogar mais, que todos consigamos ler mais e que possamos gradativamente e com todo o cuidado retomar atividades que fazíamos antes.

Pois bem, iniciemos os trabalhos por aqui!