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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Os melhores discos de 2024


Seguindo com as minhas opiniões não solicitadas sobre música, montei uma listinha com os dez discos lançados em 2024 que mais gostei / achei os melhores do ano. Acho que saí um pouco da minha cripta e estou conseguindo ouvir mais música atual. 

Adicionei nos títulos de cada álbum os links das microrresenhas que publiquei no blog do Tumblr (e que também estão nesse fio do Bluesky). 

Top 10: os melhores discos de 2024

1. Fontaines D.C. - Romance 

2. The Last Dinner Party - Prelude to Ecstasy 

3. Milton Nascimento e Esperanza Spalding - Milton + Esperanza

4. Primal Scream - Come Ahead

5. Beyoncé - Cowboy Carter

6. The Cure - Songs of A Lost World

7. Buenos Vampiros - Entre Sombras

8. Rachel Chinouriri - What a Devastating Turn of Events

9. Idles - TANGK

10. Sabrina Carpenter - Short 'n' Sweet

"Maybe romance is a place..." Certo, quem me conhece um pouquinho já sabia que os irlandeses só poderiam estar no topo da minha listinha.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

As melhores músicas de 2024 (para mim)

Fontaines DC, a partir da esquerda: Conor Deegan III, Tom Coll, Grian Chatten, Conor Curley e Carlos O'Connell. Foto de Simon Wheatley.


Não sou jornalista, não trabalho no meio musical e não tenho nenhuma relevância em redes sociais. Mas amo música, gosto de listas e tenho um blog - o suficiente para me aventurar a dar opiniões não solicitadas sobre assuntos relativos à música pop. E, juntando a fome com a vontade de comer, como em 2024 minha veia musical esteve aflorada e tenho me esforçado para conhecer coisas diferentes e ouvir músicas de nossa época - e não apenas as mesmas bandas de sempre -, resolvi montar uma listinha com as canções que mais gostei de ouvir / achei as melhores de 2024. 

Inicialmente, pensei em dez músicas, mas, como ficou um pouco difícil fechar um top 10, ampliei o número para quinze. Prolixa e coração mole até na hora montar uma lista de músicas... 

Bem, além de serem músicas que, para o meu gosto pessoal, são muito boas, os outros critérios adotados para a seleção foram os seguintes: 1) músicas lançadas como singles ou que fazem parte de álbuns lançados em 2024 (algumas músicas saíram como singles em 2023, mas entraram em álbuns de 2024, então, contaram); 2) apenas uma música por artista - quem já leu alguma das bobagens que posto nas redes sabe que o Fontaines D.C. (foto) poderia ter entrado outras vezes na lista, não fosse esse critério. 

Sem mais papo, eis a lista. 

Top 15: as melhores músicas de 2024

1. Fontaines D.C. - "Starburster"

2. Sabrina Carpenter - "Espresso"

3. IDLES feat. LCD Soundsystem - "Dancer"

4. The Last Dinner Party - "Sinner"

5. Chappell Roan - "Good Luck, Babe!"

6. Beyoncé - "BLACKBIIRD"

7. Primal Scream - "Deep Dark Waters"

8. Rachel Chinouriri - "All I Ever Asked"

9. KNEECAP feat. Grian Chatten - "Better Way To Live"

10. Kasabian - "Darkest Lullaby"

11. Milton Nascimento e Esperanza Spalding - "A Day In The Life"

12. English Teacher - “The World’s Biggest Paving Slab” 

13. Jade - "Angel Of My Dreams"

14. Charli xcx - "360"

15. The Cure - "And Nothing Is Forever"

Observações: 
1) O único brasileiro que aparece na lista é Milton Nascimento;
2) Muitos britânicos - mas eu tenho mesmo uma queda pela música do Reino Unido;
3) As mulheres dominaram a parada - nove das quinze músicas são cantadas por mulheres;
4) Os Beatles aparecem duas vezes na lista, em versões de Beyoncé e Milton Nascimento e Esperanza Spalding; 
5) Grian Chatten está em duas músicas - com sua banda em "Starburster" e participando de "Better Way To Live", do KNEECAP. Mas, se considerarmos os videoclipes, ele aprece em três, já que, além dos clipes das duas músicas citadas, ele faz uma ponta no clipe de "Angel Of My Dreams", de Jade;
6) Estou estranhamente muito pop.  

Montei uma playlist no Spotify para quem quiser conferir as músicas. 

 

Em breve, pretendo postar também no blog uma lista com os álbuns de 2024 que mais gostei de ouvir.

domingo, 30 de julho de 2023

Filmes vistos em 2022: os 15 favoritos

Jane Asher e John Moulder Brown em cena de Deep End (1970), de Jerzy Skolimowski

Ninguém me perguntou, mas aqui estão os filmes que mais gostei de ver em 2022 (dos que me lembro que assisti). Não preparei uma lista de "melhores do ano", até porque não consigo acompanhar muito os lançamentos e nem tenho base para comentar sobre isso. Sei que já passamos da metade de 2023 (!), mas só agora consegui terminar essa postagem (!!!). 

Trata-se uma lista sincera e despretensiosa, de quem curte cinema por prazer. Isto é, não tenho formação e nem trabalho na área. Não sou jornalista e nem crítica. Então, embora eu aprecie a sétima arte, não tenho domínio sobre as questões mais técnicas. Apenas assisto como espectadora comum (e de vez em quando dou uns pitacos no Twitter sobre o que vi). No máximo, posso dizer que meu olhar é o de uma historiadora e profissional de Letras. Sempre digo que sou uma "curiosa" em relação ao cinema: adoro ler e pesquisar informações sobre, mas sem deixar de reconhecer as minhas limitações. 

E, sim, meu processador é lento e eu demoro a assistir/ler/ouvir coisas lançadas no ano corrente. Provavelmente, o que saiu em 2022 verei mais em 2023 e nos anos seguintes. E assim vou indo. Na verdade, eu adoro descobrir "novidades" no meio de coisas antigas, isto é, adoro voltar décadas atrás e descobrir um filme obscuro, uma banda pouco falada mas que tem um som incrível ou um livro que ninguém mais se lembra. Talvez seja meu vício de historiadora.

Os critérios desta lista: filmes que vi pela primeira vez em 2022, não necessariamente lançados nesse ano; apenas um filme por diretor (do contrário, diretores como David Lean e Xavier Dolan poderiam ter entrado outras vezes). A lista está aproximadamente por ordem de preferência, mas as posições dos quatro primeiros, por exemplo, poderiam estar alternadas, pois gostei muito dos quatro. Sobre os cinco primeiros, faço uma apresentação um pouco mais detalhada. Já para os títulos seguintes apenas cito os nomes e dados principais, como ano, país de origem e diretor. 


Meus filmes favoritos em 2022:


1.  Ato final (Deep End, 1970, Reino Unido/Alemanha)

Direção: Jerzy Skolimowski

Esse filme do polonês Jerzy Skolimowski, lançado há mais de 40 anos, foi o que mais me capturou no ano passado. O longa acompanha a trajetória do jovem de 15 anos Mike (John Moulder Brown), que consegue seu primeiro emprego em uma casa de banhos. Logo, Mike passa a nutrir uma paixão pela colega de trabalho Susan (Jane Asher), uma mulher alguns anos mais velha que ele e que mantém relacionamentos com outros homens.  

O desejo de Mike por Susan, inicialmente algo pueril, gradativamente se torna obsessivo e o filme tem uma virada surpreendente - mas que, quando olhamos em retrospecto, de certa forma, já era prenunciada por elementos visuais apresentados na tela. Assim, nada nesse longa é aleatório - do uso das cores nos cenários e objetos, especialmente a cor vermelha, à trilha sonora, com destaque para a canção de "But I Might Die Tonight", de Cat Stevens/Yulsuf - tudo contribui para a construção da narrativa. 

Ambientado na Swing London, o trabalho de Jerzy Skolimowski é um retrato da juventude, da moda, da música e, especialmente, da busca por liberdade sexual da época. Além disso, situado na transição dos anos 1960 para o 1970, o filme também aponta, parafraseando John Lennon, como o sonho hippie da paz e do amor estava acabando. Enfim, um filme que merece ser visto muitas vezes!


2. Aftersun (2022, Reino Unido)

Direção: Charlotte Wells

Aftersun foi o último filme que assisti no ano passado (de maneira, digamos, "não exatamente legal", se é que me entendem) e me causou uma forte impressão. Depois, já início de 2023, revi o longa duas vezes, no streaming e no cinema. O filme da jovem cineasta Charlotte Wells é como um quebra-cabeça incompleto, tentamos encaixar novas peças a cada vez que o assistimos, mas parecem sempre faltar outras... E acho que esse é seu maior mérito. 

Há certo mistério sobre Calum (Paul Mescal), o pai de Sophie (vivida por Frankie Corio na infância e por Celia Rowlson-Hall já adulta). Dúvidas que, ao final da projeção, continuam em aberto. A filha, a partir de suas memórias e dos vídeos que gravou em uma viagem de férias para a Turquia na infância (talvez a última que tenha feito com ele?), tenta compreender o pai. 

As paisagens de uma ensolarada Turquia são belíssimas, o mar e o céu de um azul magnífico! O longa é também recheado de músicas, especialmente do Britpop noventista. Há uma muito comentada (não sem razão) bela cena com "Under Pressure", de Queen e David Bowie. Mas a sequência que mais gostei foi aquela em que ouvimos "Tender", do Blur. Como o meu relacionamento com o meu pai é também marcado pela música - muitas bandas de que gosto aprendi a ouvir com ele - e fui criança durante os anos 1990, o filme me pegou de jeito. 


3. Matthias & Maxime (2019, Canadá)

Direção: Xavier Dolan

Um filme sobre a amizade, sobre a aceitação da própria sexualidade, sobre os dilemas que enfrentamos ao ingressar na vida adulta (trabalho, universidade, casamento, família etc.). Dirigido, roteirizado e protagonizado pelo canadense Xavier Dolan (que ainda não tem 35 anos, mas já possui uma filmografia invejável), é um dos seus filmes mais contidos, em termos de elementos visuais, como uso de cores fortes e câmera lentaNão que tais recursos não ocorram aqui em determinados momentos, mas eu diria que em Matthias & Maxime Dolan é menos "barroco" que em outros filmes seus, como Les Amours Imaginaires (2010) e Laurence Anyways (2012). Talvez seja o filme de Dolan que mais gostei até agora. 

A trama acompanha um grupo de jovens, amigos desde a infância, centrando-se na relação entre dois deles, Matthias (Gabriel D'Almeida Freitas) e Maxime (Dolan), que são mais próximos. Matt está decolando na empresa onde trabalha e prestes a se casar e Max, que vive uma relação complicada com a mãe e parece mais perdido, decide se mudar para a Austrália. Um dia, Matthias e Maxime viajam para a casa de campo da família de um dos outros amigos, Rivette (Pier-Luc Funk). Lá, a irmã deste, Ericka (Camille Felton), estudante de cinema, está decidida a fazer um curta. E o que há nesse filme? Entre um emaranhado de cenas, há o registro foi por ela de um beijo entre Matt e Max. Depois desse beijo, a relação entre os dois amigos, que antes parecia harmônica, fica abalada e eles começam a se questionar sobre seus sentimentos, seus desejos e sobre suas vidas. 


4.  Passagem para a Índia (A Passage to India, 1984, Reino Unido/Estados Unidos)

Direção: David Lean

Último filme do mestre David Lean, que ficou um bom tempo sem filmar após o fracasso de A filha de Ryan (Ryan's Daughter, 1970), Passagem para a Índia é baseado no romance de mesmo nome de E. M. Forster. Este filme de Lean não chega a ser um épico tão grandioso quanto outras obras suas, como Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1962) e Dr. Jivago (Doctor Zhivago, 1965), mas, como de praxe, traz o apuro técnico do diretor, com planos mostrando belas paisagens, todo o cuidado com a reconstituição de época e a trilha sonora imponente de Maurice Jarre. O longa conta também com ótimas atuações, especialmente de Judy Davis, Victor Banerjee e da veterana Peggy Ashcroft, tendo esta última recebido o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel. 

Ambientado na década de 1920, Passagem para a Índia acompanha a ida para a Índia da jovem Adela Quested (Judy Davis) e da Sr.ª Moore (Peggy Ashcroft). Lá vive o filho da Sr.ª Moore, Ronny Heaslop (Nigel Havers), que ocupa um cargo de magistrado a serviço do império britânico e é noivo de Adela. A Sr.ª Moore e Adela tornam-se amigas do Prof. Fielding (Richard Fox), diretor escolar que vive há anos na localidade, e do Dr. Aziz Ahmed (Victor Banerjee), um médico indiano. Um dia, Aziz leva as duas mulheres para um passeio em um sítio local, as Cavernas de Marabar. Em dado momento do passeio, Adela se perde de Aziz nas cavernas e depois é achada ferida por ingleses na estrada. Aziz, então, é acusado de tentativa de estupro. O julgamento causará um conflito entre indianos e ingleses na região. O longa aborda, assim, entre outras questões, o imperialismo, desnudando os conflitos raciais e de classe na Índia ocupada por britânicos. 


5. O homem ideal (Ich bin dein Mensch, 2021, Alemanha)

Direção: Maria Schrader 

É difícil enquadrar o filme alemão em um gênero, percebemos nele uma mistura de ficção científica, romance e drama. O longa acompanha os dilemas vividos por Alma (Maren Eggert), que, em troca de financiamento para sua pesquisa na universidade, aceita participar de um experimento em que deve conviver com o robô Tom (Dan Stevens), desenvolvido para ser o seu parceiro amoroso ideal. Levantam-se, então, discussões sobre o que nos torna humanos, a nossa relação com as tecnologias, o envelhecimento, o afeto e o prazer... Ainda tem Dan Stevens falando alemão!


6. Licorice Pizza (2021, Estados Unidos)

Direção: Paul Thomas Anderson



7. Munique (Munich, 2005, Estados Unidos)

Direção: Steven Spielberg



8. Mustang: alma indomável / Rédeas da redenção (The Mustang, 2019, Estados Unidos/França /Bélgica)

Direção: Laure de Clermont-Tonnerre



9. Nada de novo no front (Im Westen nichts Neues, 2022, Alemanha/Estados Unidos)

Direção: Edward Berger



10. Um mergulho no passadoA Bigger Splash (2015, Itália/França)

Direção: Luca Guadagnino



11. Esteros (2016, Argentina/Brasil)

Direção: Papu Curotto



12. A Verdadeira História da Gangue de Ned Kelly (True History of the Kelly Gang, 2019, Austrália/Reino Unido) 

Direção: Justin Kurzel



13. Nos corredores (In den Gängen, 2018, Alemanha)

Direção: Thomas Stuber



14. Que mal eu fiz a Deus? (Qu'est-ce qu'on a fait au Bon Dieu?, 2015, França)

Direção: Philippe de Chauveron



15. Depois a louca sou eu (Brasil, 2021)

Direção: Júlia Rezende



A expressiva presença da Alemanha na lista me surpreendeu! E uma observação final é a de que, realmente, preciso ver mais obras de países da América Latina, Ásia e da África. 

Veremos como será a lista de 2023. Acho que agora consigo manter um melhor acompanhamento do que assisti com o Letterboxd.